Ramos Pinto

Por Rui Falcão*

Ramos_Pinto.jpegDesde que foi fundada como casa de Vinho do Porto por Adriano Ramos Pinto, em 1880, a Ramos Pinto dedicou grande parte das suas energias ao mercado brasileiro. Aí chegou quase a ser confundida com o nome desse grande vinho generoso do Douro, reclamando para si mais de metade da quota de Vinho do Porto do mercado brasileiro. Ficaram célebres os cartazes de promoção deliciosos e absolutamente brilhantes, encomendados a artistas internacionais da época, associando pela primeira vez o vinho com a arte como forma de promoção. .

Adriano Ramos Pinto imaginou, muitos anos antes do tempo, brindes com que conquistava novos clientes, pequenos presentes que variavam dos mais exóticos aos mais funcionais, dos mais arrojados aos mais elegantes. Descobriu e desenvolveu mercados onde ninguém via oportunidades, sobretudo no Brasil, engarrafando vinhos especiais para as forças armadas locais com o rótulo “Exército & Marinha”, para o clero com o “Vinho do Porto para os Prelados” ou para o público feminino com o “Porto Fonte” e o “Porto Brazil” - inspirados na delicadeza da Arte Nova.

Numa altura em que ninguém segmentava mercados, este visionário mostrava-se brilhante na antecipação daquilo a que hoje chamamos nichos de mercado! Criou a nova categoria dos vinhos medicinais, que anunciava terem virtudes fortificantes: como o célebre “Vinho do Porto Febrifugo” e o “Porto Quinado” dos anos 20 que proclamavam as virtudes do quinino. A Ramos Pinto foi igualmente pioneira no estudo das castas portuguesas, na viticultura das terras durienses, na vinificação e na junção de uvas de diferentes quintas situadas em sub-regiões distintas e a altitudes diferentes.

 

 

 

 


* Rui Falcão é um renomeado vinho Português jornalista, escritor e educador vinho. Ele também é um juiz em vários concursos internacionais de vinhos.