Paulo Laureano

Por Rui Falcão*

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Paulo Laureano começou a ser conhecido por ser um dos enólogos consultores mais produtivos do Alentejo, um dos enólogos mais requisitados e considerados pela nova vaga de produtores que chegaram ao Alentejo em meados da década de 90, tendo colaborado com mais de uma trintena de produtores e assinando muitos dos vinhos mais sonantes do Alentejo. Ficou conhecido, igualmente, como o senhor Mouchão quando passou a liderar a equipa de enologia deste produtor clássico do Alentejo, bem como pelos seus bigodes clássicos que o destacam na multidão. 

Até que decidiu criar o seu próprio vinho, na sub-região da Vidigueira que tanto aprecia. Saltou do papel de consultor para a posição de produtor, onde desde o início marcou posição por defender até à exaustão as castas portuguesas, declarando com pompa e circunstância tal credo nos rótulos dos seus vinhos. Jogando com o habitual trio das castas tintas Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet nos tintos, e o trio de castas brancas Antão Vaz, Arinto e Roupeiro, Paulo Laureano desenhou um conjunto alargado de vinhos modernos no estilo e suficientemente distintos entre si para não se sobreporem.

Curiosamente, Paulo Laureano é igualmente responsável pela recuperação e identificação de uma casta antiga que promete vir a transformar-se em estrela futura do Alentejo, a Tinta Grossa. Variedade alentejana tinta que tinha caído no esquecimento e que Paulo Laureano tem recuperado num esforço que foi, agora, colmatado com a elaboração do primeiro vinho varietal desta casta, o Paulo Laureano Tinta Grossa.

 

 


* Rui Falcão é um renomeado vinho Português jornalista, escritor e educador vinho. Ele também é um juiz em vários concursos internacionais de vinhos.