Dão Sul / Global Wines

Por Rui Falcão*

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A paixão e a aposta pelo Brasil foram tão fortes que a Dão Sul não esteve com meias medidas, mudando-se prontamente para o Brasil, onde decidiu elaborar um vinho. A eleição da região recaiu sobre o Vale de São Francisco, no sertão nordestino, um local anteriormente devoto à produção de uva de mesa.

Investiram em conceitos novos e quase radicais, plantando mais de 200 hectares de vinhas a uma latitude onde durante muitos anos se pensou que a cultura da vinha estaria impedida, ajustando as práticas tradicionais à realidade que foram encontrar no Vale de São Francisco. Sem querer impor um modelo português, a verdade é que o grande projecto da Dão Sul conseguiu introduzir algumas das variedades portuguesas mais representativas e mais qualificadas, como a Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinto Cão ou Sousão, castas que se revelaram decisivas na afirmação dos vinhos da Dão Sul.

Em Portugal, e 20 anos depois da fundação por quatro sócios, a Dão Sul estendeu os seus braços a muitas quintas e parcelas de vinha no Dão natal, da Quinta de Cabriz à Quinta dos Grilos, da Casa de Santar ao Paço dos Cunhas de Santar, estendendo-se ainda ao Douro, onde possui duas quintas e uma adega, ao Alentejo, onde possuiu uma herdade e uma adega, à Bairrada, onde possui uma quinta e uma adega, e ao Vinho Verde, onde criou uma parceria.

 


* Rui Falcão é um renomeado vinho Português jornalista, escritor e educador vinho. Ele também é um juiz em vários concursos internacionais de vinhos.